Uma das maiores consequências da falta de definição e compreensão acerca da aceitação é a sua degeneração em permissividade.

Para podermos compreender melhor esta questão passamos de imediato a exemplo prático:

– Podemos muito bem aceitar que uma pessoa seja um ladrão mas isso não quer dizer que vamos permitir que nos roube, sabendo dessa sua característica podemos estar em alerta para tomar todas as medidas necessárias para evitar que sejamos roubados por essa pessoa.

Meditarmos sobre esse simples exemplo nos capacita para entender que existe uma grande diferença entre aceitar e permitir e que não se deve confundir aceitação com permissão.

Precisamos analisar em nossa vida onde estamos sendo permissivos o que muitas vezes acontece por falta de amor próprio que nos faz sujeitar a condições adversas nos impostas pelos outros e pela vida.

Aceitar que uma pessoa seja agressiva não significa permitir sermos insultados ou abusados verbalmente e até fisicamente por ela.

Uma mulher cujo marido a agride pode encontrar várias desculpas que a façam melhor se sujeitar a essa situação e até pode mesmo se enganar achando que isso é aceitação e amor por parte dela, no entanto, na sua essência, ela não tem o amor por ela mesma que lhe dê consciência e força de mudar a situação prejudicial em que se encontra, mas pode sempre escolher outro caminho em que não permite mais ser vítima de sua ilusão e passividade passando a mudar as condições em que se encontra.

Aceitação é o reconhecimento do que não podemos mudar e a ausência de desejo em relação à realidade ser diferente do que é, mas para isso precisamos ter um bom senso de realidade para realmente vermos se estamos perante algo imutável ou não, pois muitas vezes vemos apenas o que queremos ver e não o que as coisas realmente são.

Para conseguirmos atingir essa qualidade de discernimento precisamos da meditação que nos trás a realização de como os nossos desejos podem estar em oposição à natureza e através da sua compreensão conseguimos a libertação da negação na qual temos grande tendência a viver.

Essa negação que é o oposto da aceitação, é em grande parte causada pelo estado de ignorância em que vivemos no qual colocamos nossos desejos e crenças como fatos e que na realidade não passam a maioria das vezes de delusões, ou seja, ilusões por nós mesmos criadas e alimentadas, auto-enganos.

Também o fato de não meditarmos sobre a existência e termos falta de definições concretas do que as coisas são, baseadas na nossa experiência, nos faz viver num estado de confusão em que achamos que uma coisa é uma coisa, quando na realidade é outra coisa.

Um exemplo disso é a questão que abordamos da aceitação ser confundida com permissão e essa confusão nos trazer muito sofrimento.

Quando o Buda fala que precisamos de cultivar a aceitação quer dizer que precisamos buscar aceitar todas as possibilidades para assim as compreendermos e vermos quais são universais e quais são pessoais e passíveis de mudança por nossa parte.

Osho ao criticar Buda, em um de seus discursos, por ter ensinado aceitação, faltou ter compreendido esta questão de aceitação não ser permissão, e que embora tenhamos que aceitar as coisas como elas são podemos muito bem mudar várias delas através do dominío da qualidade de permissão que o nosso livre-arbítrio nos faculta.

Pergunte-se sempre em toda situação se você se encontra num estado de aceitação ou negação e qual o uso que está fazendo da energia de pensamento da permissão, pois ela será um fator determinante para sua felicidade ou sofrimento.

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